Saturday, January 31, 2009

A vitimização dá votos?


José Sócrates, na minha opinião, parece ter tratado com demasiada “ligeireza” alguns assuntos que exigiriam mais cuidado e precaução. Terá sido assim, por exemplo, nas conhecidas histórias do curso de engenharia, dos projectos de construção e do caso Freeport. Por isso, considero que José Sócrates é, em primeiro lugar, vítima de si próprio, do seu voluntarismo: quem tem elevadas ambições políticas não deve ignorar que, mais tarde ou mais cedo, todos os seus actos e comportamentos serão esmiuçadamente analisados.

Quanto às questões judiciais, à eventual participação em casos que estão a ser investigados, há que aguardar o seu completo esclarecimento.

É perfeitamente normal e legítimo que qualquer cidadão fique indignado quando é injustamente acusado e recorra à Justiça para defender o seu nome e a legalidade dos seus actos. Todavia, já não é nada normal a excessiva dramatização deste facto e a tentativa de transformar a investigação numa cabala, numa campanha negra, desencadeada por poderes ocultos, como se a carta rogatória da polícia inglesa, na qual é alegadamente mencionado o nome de José Sócrates, pudesse fazer parte de alguma conspiração ou a polícia inglesa, por perseguição pessoal ou qualquer outra razão oculta politicamente influenciada, resolvesse de ânimo leve incluir o nome do primeiro-ministro português numa investigação.

E ainda é mais estranha a campanha desencadeada pelo governo, pelo PS e pelos seus simpatizantes: os e-mails para os militantes, a afirmação de que se tenta pôr a democracia refém de campanhas negras, a ridícula comparação com o caso Dreyfus, a acusação de que trata de  um linchamento público com interesses partidários ou as polémicas afirmações de que José Sócrates deveria “confrontar as instituições envolvidas com as suas responsabilidades, designadamente a PGR e o Presidente da República, utilizando em última instância o recurso para o voto dos eleitores“.

Na verdade, há limites para tudo e o que se tem lido e ouvido, para além de demonstrar incompreensível desespero e falta de confiança na capacidade da investigação para total esclarecimento da verdade, mais parece uma campanha branqueadora da real situação do país e das responsabilidades deste governo à medida que se aproxima o fim do mandato.

A vitimização cheira muito a estratégia eleitoral!


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Wednesday, January 28, 2009

O caso Freeport e a mulher de César


Foi afirmado:

que o projecto Freeport  tinha sido reprovado duas vezes;
que Charles Smith se terá queixado a Júlio Monteiro de que lhe pediam 4 milhões para o licenciamento do projecto;
que Júlio Monteiro terá informado José Sócrates desta queixa;
que o este assunto era da competência do Secretário de Estado, por delegação;
que José Sócrates terá reunido com os promotores do Freeport, a pedido da Câmara Municipal de Alcochete;
que o projecto foi aprovado;
que o filho de Júlio Monteiro terá enviado um e-mail à Freeport;

Reparei que não consta que a queixa de Charles Smith tenha sido encaminhada para averiguação pelas autoridades competentes ou tenha, pelo menos, motivado cautelas acrescidas na apreciação e aprovação do projecto.

Noto também que este caso parece ser suficientemente importante para que tantos ministros e personalidades se empenhem agora na demonstração de que não foi cometida qualquer ilegalidade na aprovação e licenciamento do projecto.


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Saturday, January 24, 2009

À mulher de César não basta ser séria

Quantos não se demitiram já por muito menos

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Saturday, January 17, 2009

Quebra no PIB de 0,8%, défice 3,9% e mais endividamento para 2009

O Orçamento (que vai ser rectificado/corrigido/complementado) foi aprovado pela Assembleia da República, no dia 28 de Novembro de 2008, com os votos do PS e as criticas dos restantes deputados que o consideraram virtual. Se as novas previsões são sérias e responsáveis, as anteriores o que eram?

As “jóias da coroa” são, afinal, de pechisbeque.

O défice foi o pretexto para justificar a continuidade das políticas de direita e do modelo económico de baixos salários, desemprego, redução de direitos e aumento de injustiças e desigualdades sociais. A crise serve para justificar mais do mesmo, alijando responsabilidades.

Quem vier depois que feche a porta!

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Thursday, January 15, 2009

Grupo Controlinveste despede 122 trabalhadores

Do grupo, conheço melhor o Diário de Notícias.

Não sei de quem foi a ideia de transformar o DN numa quase segunda versão do Correio da Manhã, criando um jornal incaracterístico, por vezes intragável, que dá brindes para ser vendido: na papelaria onde costume comprá-lo, diz-me o dono que o jornal só se vende com brinde e até há quem queira o brinde (agora, um curso de informática em cds) e deixe o jornal.

E a história é quase sempre assim: são os trabalhadores que pagam a incompetência de quem manda.

Mas a luta continua até que a injustiça tenha fim!

 

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Wednesday, January 14, 2009

Eles e Nós

Quem anda no dia-a-dia, sente o descontentamento e sabe que a constante referência a eles significa isso mesmo, ou seja, o agravamento da fractura social que separa o nós do eles. Estivessem todos os nós mais organizados e nesta altura os eles já teriam sido obrigados a mudar de políticas ou tinham sido corridos pelos nós.

Assisti, pela tv, ao ataque do primeiro-ministro ao PEV, ao PCP e à CDU. Nada de novo, nem mesmo o tom anticomunista. Custou-me, no entanto, o ar atento venerando e obrigado de alguns deputados que aplaudiram a diatribe primo-ministerial.

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Monday, January 12, 2009

Filhos e enteados

Ao ler a notícia (aqui) da promoção (“com reflexos para efeitos da reforma”) de Armando Vara na Caixa Geral de Depósitos, já depois de se ter demitido daquela instituição para assumir a vice-presidência do BCP, lembrei-me de um artigo do mesmo Armando Vara, publicado no Diário de Trás-os-Montes que terminava assim: “Talvez porque uns são filhos e outros enteados ou simplesmente porque o rei começa a ir nu.”


E não é que até tem razão!

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Saturday, January 10, 2009

Quando a esmola é grande …

Este governo, como os anteriores, quase tudo permitiu aos bancos sem se preocupar com os depositantes e clientes: foram as taxas, as comissões, os arredondamentos, os produtos obrigatórios e as exigências leoninas para a concessão de empréstimos mas foram também as mordomias e elevados salários dos gestores e, principalmente, as offshore, os impostos reduzidos e uma tímida e pálida supervisão.
Como acreditar, portanto, que os milhares de milhões de ajuda ao sector financeiro visam acima de tudo proteger os depositantes, as famílias e as PMEs.

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Thursday, January 8, 2009

O gueto de Gaza


Israel não cumpre as resoluções das Nações Unidas, não respeita o direito internacional, comete crimes de guerra, comporta-se como um estado terrorista e ainda há quem o trate como vítima. As afirmações de que esta ofensiva é influenciada pelo próximo processo eleitoral e o recente bombardeamento de uma escola mostram a verdadeira face dos agressores que só actuam assim pela protecção que lhe é dada pelos EUA e pela hipocrisia de muitos governantes europeus ditos democratas.

Solidariedade com o Povo da Palestina!
 

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Tuesday, January 6, 2009

sem emenda

Este governo não tem emenda: depois dos avisos sobre o agravamento do endividamento, a degradação económica e social e o distanciamento em relação às médias europeias, o primeiro-ministro continua a tentar iludir a situação, a culpar a crise internacional e a prometer o que não fez nestes anos que leva de governo.

É costume dizer-se que à segunda cai quem quer … será que os portugueses vão continuar a querer?

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