A chantagem
É preciso dizer claramente aos trabalhadores - o salário ou o emprego!
Referindo-se às obras anunciadas, esclarecia o comentador:
- A opção do investimento privado ou do investimento do Estado é ideológica!
De facto, repare-se na simplicidade do negócio: o Estado (todos nós) dá garantias 20.000 milhões aos bancos e estes, utilizando a garantia, financiam-se no mercado para emprestarem (com garantias reais) aos privados que vão realizar os tais investimentos que todos nós iremos pagar.
É quase como apostar no totoloto depois de conhecidos os números …
Mas nós é que pagamos sempre o prémio!
A Festa do Avante causa engulhos, custa a engolir, e vai daí toca a inventar pretextos… que isto da democracia capitalista tem que se lhe diga…
Para alguns, o bom seria impedir a sua realização e aproveitar para dificultar a vida ao PCP.
Vão fazendo o que podem!

Nicolas Sarkozi quer edificar um novo capitalismo - como se por detrás do capitalismo não houvesse capitalistas e não fossem estes os principais beneficiários do sistema e simultaneamente os causadores das crises do próprio capitalismo – mas, por mais adjectivos que lhe juntem e máscaras que lhe coloquem, o capitalismo vai continuar sempre a ser a apropriação por poucos do trabalho de muitos.

O governo PS aprova, sem exigir contrapartidas, garantias de 20.000 milhões para a Banca e, com o PSD e o CDS, chumba a proposta de redução das taxas de juro dos empréstimos para a habitação.
Sabendo-se que a factura vai ser paga pelos contribuintes, é verdade, falta confiança para acreditar que os responsáveis pela crise económica e financeira possam resolver a situação.
Para além das medidas anunciadas - que esquecem o essencial – vai manter-se a mesma política económica, com este modelo de baixos salários, de desemprego, de estrangulamento do mercado interno e das micro, pequenas e médias empresas, verdadeira causa dos principais problemas?
De repente, quase milagre, desapareceram os neoliberais e multiplicam-se os críticos do capitalismo e os adeptos da intervenção do Estado. Chega a ser comovente o discurso da necessidade de discussão ideológica sobre a importância do papel de Estado na economia: até parece que a desregulamentação não teve desregulamentadores e esta crise não teve culpados e beneficiados.
Será agora que vai acabar a liberalização de preços como, por exemplo, o dos combustíveis?
Contudo, ouvindo alguns analistas e comentadores, fica-se com a impressão que as empresas, principalmente as financeiras, são a medida de todas as coisas e delas, exclusivamente delas, depende o futuro da humanidade. Por isso, já há quem recomende calma e moderação, alegando que se pode correr o perigo de despejar a água do banho e deitar fora a criança…
O governo declarou a decisão de intervir se algum dos Bancos entrar em colapso. Se tal acontecer, convirá saber se os gestores serão obrigados a reduzir reformas principescas e a devolver os chorudos prémios de gestão e as indemnizações que receberam.
A propósito, quando estarão concluídas as anunciadas averiguações sobre eventuais ilícitos cometidos através de múltiplas sociedades offshore e não só?

… a bancada do PCP vai propor, no debate do Orçamento, entregue pelo Governo a 15 de Outubro, propostas relativamente ao IRS, com aumentos das deduções à colecta com as despesas de saúde e educação para os escalões mais baixos do IRS.
(http://ww1.rtp.pt/noticias/?article=365618&visual=26&tema=4)
O PCP propõe o aumento das deduções de despesas de saúde, educação, etc. em IRS. É evidente, porém, que essa medida iria favorecer especialmente os titulares de mais altos rendimentos, que são quem mais despesas dessas faz, em geral no sector privado (escolas e clínicas privadas), pelo que tal aumento da dedução seria além do mais um incentivo à fuga do SNS e da escola pública.
Os beneficiários e a direita política agradecem certamente a prestimosa e inesperada ajuda do PCP. Mistérios que o oportunismo político tece…
(http://www.causa-nossa.blogspot.com)

Felizmente, consegui uma moratória e pude regressar a tempo de assistir a esta novela da crise financeira de que somos forçados protagonistas: suportámos os lucros obscenos da banca, profusa e generosamente distribuídos por gestores e accionistas, e agora, directa e indirectamente, vamos suportar os prejuízos.
Ou não há quem garanta que culpa é só nossa por vivermos acima do que nos era permitido?
Aliás, isto do mercado não é para todas as cabeças: por muito que expliquem, não é qualquer um que entende que os bancos possam passar de sólidos a falidos de um dia para outro, que o preço dos combustíveis suba quando o do petróleo sobe e continue a subir quando o preço do petróleo desce, que se afirme não haver dinheiro para tanta necessidade e, de repente, apareçam milhares de milhões, em catadupa, para comprar … activos tóxicos.
São tempos perigosos de resistência e de luta, que o Mundo está mesmo em transformação acelerada.
Ainda bem que pude regressar!