Um saber de experiência feito.

"Isto vai provocar danos mas não são irrecuperáveis. Por vezes os partidos precisam de momentos destes, clarificadores. " (Zita Seabra/DN 29.09.2007)

"Isto vai provocar danos mas não são irrecuperáveis. Por vezes os partidos precisam de momentos destes, clarificadores. " (Zita Seabra/DN 29.09.2007)
Ganhou ? Ganhou o quê?
Ao iniciar o seu blog, Santana Lopes afirmava (aqui): “A blogoesfera pode ser muito importante para quem não tem acesso a outros meios de comunicação. Graças a Deus, eu tenho.”
Pode não ter perdido a graça de Deus mas, ao que parece, a graça da SIC já não será a que era.
Na minha opinião de ouvinte e telespectador, o “menino guerreiro” tem muito de marketing e promoção televisiva e foi inúmeras vezes lançado e relançado como figura mediática, desde o tempo de comentador desportivo ou político com lugar cativo.
Desta vez provou uma pequena dose do “remédio” e, se a SIC se portou mal, é pena que ele só se tenha portado bem porque foi atingido directamente no seu enorme ego por uma interrupção a favor de um ego igual ou maior.
Ainda me lembro do tempo dos ataques ao “monopólio da televisão estatal”, da insistência na entrega de canais aos grupos privados e à Igreja, para garantia de melhor qualidade e isenção, como se um verdadeiro e bom serviço público pudesse ser garantido por interesses privados…
E, como dizia há tempos um comentador, isto ainda não tocou no fundo!
Um grupo de economistas da Andaluzia desenvolve, em Alter Economía , “uma nova forma de pensar e divulgar os acontecimentos económicos, aproveitando o imenso poder da Internet para distribuir conteúdos que não se difundem através dos grandes meios de comunicação”.
Vale a pena ler o artigo do Prof. Juan Torres López - “Dez ideias para entender a crise financeira, as suas causas, os responsáveis e possíveis soluções” – e reflectir sobre algumas das suas afirmações:
“es sorprendente la falta de información, la opacidad y falta de transparencia con la que las autoridades económicas manejan la crisis.”
“el nivel de endeudamiento que hoy día existe en la economía estadounidense, en la española o en muchas otras es sencilla y materialmente insostenible.”
“como la crisis de estas últimas semanas está demostrando, los bancos centrales vienen a ser unos meros instrumentos al servicio del mantenimiento del status quo bancario y del poder monetario y financiero global”.
“cada vez que los bancos centrales suben los tipos de interés lo que directamente se produce es un trasvase de rentas desde los bolsillo de las familias o empresas endeudadas al de los banqueros.”
Inexplicavelmente, apesar da sua gravidade e das possíveis repercussões a curto e médio prazo, a crise económica e financeira não interessa aos media.
E não é por falta de informação e de avisos.
Sob o título “Os Segredos da Equipa de Protecção de Colapsos - Os quatro ditadores estado-unidenses de derivados”, ODiario.info publica (aqui) um artigo de Michael Edward explicando as medidas que são tomadas para iludir a crise, multiplicando artificialmente o valor de activos.
É a chamada economia de casino, especulativa, condenada ao fracasso, que pode provocar a ruptura dos mercados financeiros, apesar do paliativo das recentes fortíssimas injecções de capital dos bancos centrais.
Na verdade, parece evidente que tais medidas só prolongam e agravam a doença, adiando temporariamente o inevitável, como se alerta em resistir.info (aqui, aqui e aqui).
Enfrentamos, como afirma Richard Heinberg, “O Pico de (quase) tudo e não apenas o do petróleo.

No noticiário da noite, a SIC informou que um senador americano vai apresentar queixa contra Deus pelos males do Mundo. Presume-se que G. W Bush, Dick Cheney e Donald Rumsfeld, entre muitos outros, se constituam assistentes no processo. Seria até conveniente que este se desenvolva em latim, como as missas modernas de Bento XVI, para melhor esclarecimento da opinião pública americana.
Se a moda pega …
Negociação de um empréstimo de 500 milhões de euros, alienação de património, aumento do IMI para o dobro (máximo previsto por lei) e redução de custos com pessoal e de subsídios a associações e diversas entidades, parecem ser as principais medidas anunciadas pelo PS para o equilíbrio financeiro e a redução do défice orçamental da Câmara de Lisboa.
E o BE?
No seu sítio, o BE informa que a Câmara vai passar a reunir nas freguesias, rotativamente, às primeiras quartas-feiras de cada mês, por proposta do seu representante na vereação.
Assistindo ao debate parlamentar, os portugueses ficaram a saber que o governo não tem software para reformar educação e que o PSD tem uma agenda surfing e não uma agenda setting (ler aqui).
Não há dúvida o choque tecnológico e o inglês técnico estão a contribuir para a formação cultural e o esclarecimento político dos portugueses.
“Rápido a puxar da pistola e navegação à vista”, foi assim que um amigo meu classificou um conhecido político do PS.
Parece ser esta a imagem do autodenominado político “moderno”: sabatineiro, preparado pelas equipas de assessores políticos e técnicos de imagem, com resposta pronta e rápida, navegando na onda mediática do curto prazo eleitoral; enfim, a imagem cozinhada e rebuscada do tecnocrata político, nascido quase por geração espontânea, sem ideologia ou compromissos mas só na aparência.
É por isso que chamam deliberada e depreciativamente "cassete" à reafirmação do princípio da política ao serviço do Povo.