Quarta-feira, Outubro 31, 2007

Visão enviesada por passado comprometedor


de oestebravio.blogspot.com


A Igreja Católica, cheia de esqueletos no armário, parece querer criar um problema político em Espanha, reavivando feridas antigas e estimulando a divisão.
Enquanto o Público.es (aqui), sob o título”Beatos con mensaje político”, comentava a cerimónia da magabeatificação ( 498 novos beatos), El País.com informa (aqui) que, pela mão do PP, “El cementerio de Paterna, donde fueron fusiladas más 2.200 personas por el bando franquista durante la Guerra Civil y los primeros años de la dictadura, ha perdido los colores republicanos”.

Missas em latim, novamente de costas viradas para o público, são aspectos menores deste retrocesso civilizacional da Igreja Católica, comandada pelo Cardeal Joseph Ratzinger, actual Bento XVI.



Escrito por manuelmgaio em 00:48:17 | Link permanente | Comments (0) |

Terça-feira, Outubro 30, 2007

A opinião do ministro e a dos portugueses


         

O ministro mandou arquivar o processo mas, segundo o DN (aqui), 67% dos portugueses consideraram a “visita” de dois elementos da PSP ao sindicato como um obstáculo ao direito à manifestação”.

Injusta e inexplicavelmente é a opinião do ministro que prevalece … até às próximas eleições.



Escrito por manuelmgaio em 16:52:24 | Link permanente | Comments (0) |

Segunda-feira, Outubro 29, 2007

quem parte e reparte ...





O Correio da Manhã informa (aqui):
Banco de Portugal empresta dinheiro aos seus administradores para compra de habitação”.

O Ministro da Finanças, que é também presidente da comissão de vencimentos do BdP, esclarece:
O BdP não é uma instituição de crédito mas sim uma entidade pública, autoridade monetária e de supervisão financeira, pelo que a proibição resultante do RGICSF [Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras] de os bancos concederem crédito aos seus administradores não se aplica ao BdP”.

E eu, que sou apenas simples contribuinte, gostaria de perguntar:
Precisamente por isso - (1) por não ser uma instituição de crédito mas (2) uma entidade pública, autoridade monetária e de supervisão financeira – não deveria haver maior rigor e transparência?

Vencimentos chorudos, reformas principescas, indemnizações escandalosas, mordomias e prebendas várias, são prato forte de denúncias nos media e na Internet, a comprovar que as regras não são iguais para todos.

Bem diz o povo: quem parte e reparte …

Escrito por manuelmgaio em 00:05:19 | Link permanente | Comments (0) |

Domingo, Outubro 28, 2007

Ditadura e democracia



         


O parlamento da Venezuela aprovou, com alterações, o projecto de reforma constitucional apresentado pelo presidente Hugo Chavez.  O texto aprovado vai agora ser submetido a referendo a realizar provavelmente no dia 2 de Dezembro.

O chamado Tratado de Lisboa deve ser assinado no final do ano e os seus subscritores parecem preferir que o documento seja ratificado pelos parlamentos nacionais, sem referendo, “para evitar surpresas desagradáveis”.

Mas Hugo Chavez é um “ditador populista” enquanto os governantes europeus são verdadeiros “democratas”.

Fica assim solucionada a adivinha de Michel Collon citada (aqui) em resistir.info.

 
Escrito por manuelmgaio em 00:37:14 | Link permanente | Comments (0) |

Sábado, Outubro 27, 2007

Mais um plano para “libertar” Cuba




Em fim de mandato, completamente desacreditado, afundado nos problemas que criou, o presidente americano lançou uma das habituais diatribes contra Cuba.
Bush quer libertar o povo cubano e democratizar Cuba do mesmo modo libertou os povos do Iraque e do Afeganistão e democratizou aqueles países.

Fidel de Castro já comentou (aqui) e o governo cubano já respondeu (aqui).

Escrito por manuelmgaio em 00:33:50 | Link permanente | Comments (0) |

Sexta-feira, Outubro 26, 2007

carta dum contratado



Carta dum contratado


Eu queria escrever-te uma carta

amor,

uma carta que dissesse

deste anseio

de te ver

deste receio

de te perder

deste mais que bem querer que sinto

deste mal indefinido que me persegue

desta saudade a que vivo todo entregue...
 

Eu queria escrever-te uma carta

amor,

uma carta de confidências íntimas,

uma carta de lembranças de ti,

de ti

dos teus lábios vermelhos como tacula

dos teus cabelos negros como dilôa

dos teus olhos doces como macongue

dos teus seios duros como maboque

do teu andar de onça

e dos teus carinhos

que maiores não encontrei por aí...


Eu queria escrever-te uma carta

amor,

que recordasse nossos dias na capôpa

nossas noites perdidas no capim

que recordasse a sombra que nos caía dos jambos

o luar que se coava das palmeiras sem fim

que recordasse a loucura

da nossa paixão

e a amargura da nossa separação...


Eu queria escrever-te uma carta

amor,

que a não lesses sem suspirar

que a escondesses de papai Bombo

que a sonegasses a mamãe Kiesa

que a relesses sem a frieza

do esquecimento

uma carta que em todo o Kilombo

outra a ela não tivesse merecimento...


Eu queria escrever-te uma carta

amor,

uma carta que ta levasse o vento que passa

uma carta que os cajus e cafeeiros

que as hienas e palancas

que os jacarés e bagres

pudessem entender

para que se o vento a perdesse no caminho

os bichos e plantas

compadecidos de nosso pungente sofrer

de canto em canto

de lamento em lamento

de farfalhar em farfalhar

te levassem puras e quentes

as palavras ardentes

as palavras magoadas da minha carta

que eu queria escrever-te amor...


Eu queria escrever-te uma carta...


Mas, ah, meu amor, eu não sei compreender

por que é, por que é, por que é, meu bem

que tu não sabes ler

e eu - Oh! Desespero - não sei escrever também!
 

António Jacinto

Biografia e outros poemas (aqui)

 

Escrito por manuelmgaio em 00:25:47 | Link permanente | Comments (0) |

Quinta-feira, Outubro 25, 2007

A guerra colonial



   imagem de populo.weblog.com.pt


Não tenho podido acompanhar o documentário do jornalista Joaquim Furtado sobre a guerra colonial mas assisti a parte do programa “Prós e Contras”.
Surpreende-me verificar que ainda há quem pretenda convencer-se e convencer-nos que Portugal “entregou” as colónias e que se tal “entrega” não tivesse acontecido Angola, Moçambique, Guiné, Cabo-Verde e S. Tomé ainda poderiam ser uma espécie de “províncias ultramarinas” portuguesas.
E porque não também Timor, Goa, Damão e Diu?

A história da colonização é, sempre foi, uma história de exploração.

Os primeiros espoliados, de terras, bens e quaisquer direitos, foram os povos colonizados. Da escravatura passou-se aos “voluntários para o contrato devidamente amarrados”, trabalhadores forçados, entregues às grandes companhias.
O salário dava para pagar a camisa, os calções, o cobertor e as magras refeições de farinha com caril, e o pouco que sobrava, depois de descontadas toda a série de multas, era quase todo comido no imposto de palhota, na contribuição braçal e em tudo o mais que a exploração permitia.
Em Moçambique, até ao princípio da guerra colonial, o que restava do salário de um ano de contrato “voluntário” cabia na palma da mão.

A que preço chegava às cantinas do mato a lata de petróleo, o tecido para a capulana, o mais simples artefacto agrícola e, em anos de seca, a farinha?

E a repressão, as prisões, a guerra colonial foram utilizadas para “defender a Nação” ou para tentar manter a exploração?

Escrito por manuelmgaio em 16:20:43 | Link permanente | Comments (0) |

Quarta-feira, Outubro 24, 2007

Hipocrisia

As críticas ao PCP, por ter decidido renovar a bancada parlamentar aplicando um princípio que era do conhecimento de todos os seus deputados, são um claro exemplo de hipocrisia:

Uma deputada faz prevalecer a sua opinião minoritária contra a opinião da maioria, decide que os eleitores terão votado directamente em si e não no seu partido político, com programa e estatutos que essa deputada declaradamente aprovou e aceitou, e quando lhe retiram a confiança política por desrespeitar princípios estatutários, violando compromissos políticos e éticos grita-se que a democracia foi posta em causa?

   Veja a nota do Secretariado do Comité Central do PCP (aqui)

Escrito por manuelmgaio em 17:25:08 | Link permanente | Comments (0) |

Terça-feira, Outubro 23, 2007

Será autocrítica?

José Sócrates criticou os que exigem o referendo mas certamente não ignora que no "Compromisso de Governo para Portugal" (aqui) afirma:

No curto prazo, a prioridade do novo Governo será a de assegurar a ratificação do Tratado Constitucional. O PS entende que é necessário reforçar a legitimação democrática do processo de construção europeia, pelo que defende que a aprovação e ratificação do Tratado deva ser precedida de referendo popular…

E mais adiante:

Quase 20 anos decorridos sobre a adesão de Portugal à então CEE, importa melhorar o processo de decisão interno em matéria europeia. Não basta o referendo para reforçar a base democrática de apoio à construção europeia. É essencial assegurar a participação permanente da representação democrática e da sociedade civil no processo de decisão.

Escrito por manuelmgaio em 22:34:33 | Link permanente | Comments (0) |

Segunda-feira, Outubro 22, 2007

O pretexto


Nas duas páginas semanais de que dispõe no DN, o senhor Alberto Gonçalves fala de quase tudo, como se de tudo se soubesse.

Esta semana resolveu falar do Adriano Correia de Oliveira.

Como melófilo, como crítico musical? Ele próprio confessa que se especializou em Adriano durante uma viagem no IP4, que passados dez minutos já estava farto e que no fim da viagem tomou a decisão de nunca mais ouvir o Adriano.

Então o que o terá levado à prosa sobre o assunto, presumindo que ninguém escreveria tantas linhas apenas para comunicar que não gosta de um cantor que já faleceu há 25 anos?

Pelo que depreendi Adriano é apenas o pretexto: o senhor Alberto Gonçalves não gosta do Adriano porque não gosta de qualquer comunista ou equiparado.

Escrito por manuelmgaio em 18:16:38 | Link permanente | Comments (0) |
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